“Ela gosta de Phil Collins, faz Psicologia pelo mesmo
motivo que leva 99% das estudantes da área a ingressar na tal ciência: queria
antes se entender. Eu brinco ironicamente, tentando imaginar onde se enfiarão
seus pacientes, já que ela se refugia dos problemas em cafés, às dez da noite,
quase onze, papeando sobre sua infância e filmes favoritos com rapazes pobres e
estranhos e metidos a escritor. Ela ri. E me olha furtivamente, às vezes como
quem paquera uma torta ganache de frutas silvestres expostas além da vidraça no
balcão.”
— Gabito
Nunes.

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